A claridade é livre interrogar que avança

António Ramos Rosa

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ANÁLISE DA IDENTIDADE EM SITES SOCIAIS

Redes Sociais ou redes sociais?

No estudo sobre as Redes Sociais e identidades, recordo-me sempre que esta expressão pode ter vários sentidos, todos procuramos entender como é que uma se conjuga com outra.
Alguns pesquisaram o “Facebook”, de um grupo pré-seleccionado, do Hi5, de forma mais aleatória, ou procuram saber, através de entrevistas, a opinião de jovens utilizadores das Redes Sociais.
Todos concluíram que o número de “amigos” é elevado, superior a 100, todos nos questionamos sobre a improbabilidade de termos tantos amigos, espantados com tantos contactos, mas não podemos esquecer que vivemos na era do acesso em que a linguagem multimédia é uma forma de vida.
Esta intensidade que revelam a força da sociedade em rede, demonstram a crescente globalização da comunicação.

MEDIA DIGITAIS E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SOCIAL

Sobre Mixing the Digital, Social, andCultural: Learning, Identity, and Agency, in Youth Participation de Shelley Goldman e Angela Booker (Stanford University, School of Education)


Relendo o texto, saliento algumas das ideias que o mesmo me despertou:

  1. uma vasta percentagem dos jovens que vivem aparentemente "desligados" dos problemas sociais e da participação cívica, a abordagem destas temáticas é expressa de um forma básica.
  2. as tecnologias digitais (MDC) são ferramentas que podem permitir, de forma combinada com outras, desenvolver competências de cidadania e aproximar jovens e adultos pelo trabalho colaborativo.
  3. estas experiências sofrem fortes resistências nas escolas, a excepção são as mais vocacionadas para as áreas artísticas e de produção multimedia, por isso os exemplos citados no texto de referem-se a projectos locais exteriores à escola
  • Se nós os desafiassemos?
  • Se colocassemos novas questões?
  • Se criassemos a nível local ambientes mais favoráveis à aprendizagem destas competências?

IDENTIDADE SOCIAL NA ADOLESCÊNCIA

No texto de Huffaker, Calvert se realça o papel do blogues como facilitador da construção da identidade dos adolescentes, permitindo criar um ambiente de comunicação mais aberta e flexível de afirmação da sua personalidade. O ambiente virtual possibilita aos adolescentes anunciarem/exteriorizarem as suas orientações não-heterosexuais sem correrem o risco de condenações ou incompreensões.
Neste ponto, existe um risco desta aparente segurança ser perturbada pelos on-line predators, como a Julieta referiu, os utilizadores blogues frequentemente dão pistas sobre a identidade.
Existe uma outra contradição, estas partilhas e interacções são, muitas vezes, desenvolvidas em casa e na escola, isto é, nos ambientes considerados mais reguladores de comportamentos dos adolescentes.
No texto de Schmitt, Dayanim destaca-se o papel da construção de blogues e sítios electrónicos pessoais no desenvolvimento social dos adolescentes. O conceito chave é Mastery Motivation que pode ser definido como motivação promovida pela capacidade de resolver problemas e tomar decisões.
Os blogues são um meio de desenvolvimento deste tipo de motivação, os autores referem que os adolescentes e pré-adolescentes podem, pela primeira vez na história, expressar-se publicamente para uma audiência, maioritariamente, anónima.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

NATIVOS DIGITAIS OU IMIGRANTES DIGITAIS?

Sobre a análise de dois textos sobre os "Digital Native"

•Prensky, M. (2004) The Emerging Online Life of the Digital Native: What they do differently because of technology and how they do it. 1-14.
•Prensky, M. (2001) Digital natives, digital immigrants. In On The Horizon (Vol9, nº 5). NCB University Press.

Os nativos digitais existem em Portugal?
Sim, mas não estado puro.
A cultura digital é tanto mais forte quanto for a integração na sociedade em rede. Podemos falar da crescente utilização da Internet e das redes electrónicas, citando 2 exemplos: os concursos profissionais e as declarações electrónicas. Estas utilizações não se enquadram no perfil do Nativo Digital, correspondendo a uma utilização instrumental destas redes.
Os nossos alunos nascem num ambiente favorável à difusão da cultura digital, mas o acesso à rede é desigual e, muitas vezes, descontínuo, gerando formas imperfeitas de Nativos Digitais: não são nativos analógicos, nem desenvolvem todas as suas capacidades de nativos digitais. Registam comportamentos massivos relativamente à partilha e interacção em linha, mas não tem, de forma permanente, oportunidade de desenvolver estas acções.
Os processos de pesquisa, análise e coordenação são limitados pelos diferentes níveis acesso às redes electrónicas, a televisão ocupa, muitas vezes, este espaço sem desenvolver as capacidades criativas das comunidades com menores níveis de acessibilidade.
A leitura, entendida como capacidade de interpretar, é importante, os estudantes/nativos digitais que desenvolveram competências leitoras dentro e fora do ambiente digital integram-se mais facilmente nesta cultura, pois a sua capacidade de criação, avaliação e coordenação de projectos pode ser potenciada.
Esta competência facilita a construção de conhecimento através da informação que é gerada à escala global.